quarta-feira, 13 de março de 2013

Com amor, por favor: Sorriso de canto


E lá estava eu sendo ajudada pelo moreno de cabelos enrolados, alguém tão desastrada assim deveria ter no mínimo um seguro de vida melhor. Disse um "obrigado" entre os dentes que soou mais como um rosnado.
- De nada.
Senti meu rosto incendiar, puta que pariu! O que é essa voz?. Tentei me recompor, e olhei para minha calça jeans com desânimo, no mínimo pensariam que não consegui segurar a urina, ri internamente do quanto parecia patética.
- Você está bem moça? Não se machucou?
Ruborizei novamente, esse cara é de outro planeta só pode.
Hum... é, estou bem sim apesar da calça encharcada e da vergonha.
- Se eu fosse contar quantas vezes caí em bares você ficaria chocada.
Sua tentativa de me deixar menos culpada funcionou por 10 segundos até conseguir me olhar no espelho logo atrás do balcão. Meu Deus, eu apenas caí ou fui pisoteada por uma multidão? Meu cabelo parecia um ninho de passarinho mal feito, onde alguns fios se acumulavam perto dos olhos, estava assustadora. Rapidamente tentei arrumar e senti um toque no braço.
- Você ainda está sexy, oh desculpe, esqueci de me apresentar, sou Felipe e você?
Mordi os lábios e sorri agradecendo sua cortesia.
- Me chamo Ana.
- Lindo nome, uma mulher linda não merecia menos.
Soltando um leve sorriso de canto pegou em uma das minhas mãos e me conduziu até sua mesa.
- Essa é a Ana pessoal, sejam educados e cumprimentem.
Ouvi um "Olá Ana" coletivo acompanhado de "Você está com alguma amiga?". Merda havia me esquecido da Sandra. Tão logo quanto lembrei ela me viu na mesa dos "caras" e questionou, fiz um sinal para que se juntasse a nós.
Entre risos e piadas Felipe cochichava comigo o quão verdadeiras eram as histórias contadas na mesa. Sandra arrumava uma desculpa para falar de seus desamores, mas era sempre interrompida com um "quem perdeu foi ele", que alimentava seu ego já naturalmente inflado. 
Perto das onze horas da noite Felipe sorriu de canto e levemente tocou minha nuca sussurrando algo inaudível para os demais.
- Vamos sair daqui?
Sem pensar fiz que sim com a cabeça e sua mão tocou minhas costas.
- Por aqui.
Andamos por algum tempo, mantendo sempre a conversa, já sabia o suficiente sobre ele e era recíproco. Questionava internamente os porquês de um cara bonito, inteligente e com um bom emprego estar solteiro, deve ser por opção.
Atravessamos o sinaleiro e fui surpreendida com um beijo doce, o chão sumiu.

Continua...

terça-feira, 12 de março de 2013

Com amor, por favor: Moreno de cabelos enrolados



Naquela quarta-feira queria apenas ver meu seriado favorito e dormir, sem planos e sem ter que usar removedor de maquiagem, mas como explicar isso para sua melhor amiga que está neurótica para ir naquele barzinho do centro da cidade? Impossível.
Vesti uma calça do dia-a-dia e uma bota, sem muita expectativa. Chegamos e nos sentamos, não beberia em pleno dia de semana, não beberia em dia nenhum aliás, essa era uma meta de ano novo, um ano sem ressaca, sms inoportuna para ex e qualquer outra idiotice que se faz bêbado.
Olhei impaciente para todos os lados até que cruzei o olhar com um moreno de cabelos enrolados no outro canto do bar, corei automaticamente. Sandra quis saber porque eu estava com aquela cara de cachorro com vergonha, inventei uma desculpa. Desde quando me tornei tão sensível à olhares masculinos? Mas não se tratava de como eu agia e sim do carinha bonito que encarou. De canto de olho consegui notar que o cara de cabelos enrolados estava em uma mesa com alguns amigos, queria ser uma mosca para saber qual era a piada que arrancava tantas gargalhadas. Ele era adoravelmente bem vestido, uma camisa branca com os primeiros botões desabotoados revelava seu peito branco e alguns pêlos saiam para fora de forma sensual. A calça jeans despojada torneava suas longas pernas. Deixei de observar a roupa para olhar seu rosto, era tão lindo que parecia surreal, lábios carnudos e olhos verdes. 
Sandra falava incansavelmente do caso que teve com seu colega de trabalho, uma história chata e que ela repetia de cinco em cinco minutos, era egocêntrica demais para se quer me deixar contar sobre minha vida, então eu fingia interesse no assunto.
Fui pega desprevenida quando ele me surpreendeu com um sorriso e uma leve piscada, Ana você parece uma idiota, repetia mentalmente enquanto babava pelo carinha desconhecido.
Arrumei uma desculpa para ir ao banheiro e sair por algum tempo daquela conversa chata.
Voltando tropecei em uma bebida que alguém tinha deixado cair no chão, todos me olharam e alguns até se esforçaram para não rir. Não tinha bebido e já estava pagando mico. Respirei fundo e levantei com ajuda de uma mão desconhecida, foi aí que percebi que aquela mão era do moreno de cabelos enrolados que fiquei "secando" a noite toda. Ótimo modo de conhecer alguém Ana, parabéns! Me ironizei internamente.

Continua...